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Sistemas abusivos nos levam ao esquecimento profundo de quem somos.

Ao longo da vida, a maioria de nós, passivamente e sem questionamento algum, sequer desconfia que o modo como sentimos ou pensamos pode ter sido totalmente alterado por outros sistemas de valores e crenças muito diferentes do que poderíamos ser. Mais do que se imagina, inúmeras pessoas são submetidas a potentes forças de persuasão e coerção, nem sempre as identificando como tais, correndo o risco de se esquecerem por completo e de viverem como autômatas.

A lavagem cerebral faz uma espécie de doutrinação cega no pensamento e no modo de ser das pessoas, reeducando-as para que funcionem de acordo com o que se espera que sejam. Para tal, métodos agressivos de persuasão, imposição autoritária, inserção de culpas, assédio moral, inversão de verdades, gaslighting e outros da mesma ordem costumam ser aplicados.

Em relacionamentos com abusadores e narcisistas perversos, os métodos não são nada distantes disso. Eles usam da agressividade com a finalidade de persuadirem as vítimas a silenciarem suas defesas, vencendo-as pelo cansaço, até que consigam sua dependência emocional.

Com isso, as vítimas vão sendo inseridas em situações de clausura, posto que com o tempo, não mais conseguem viver a própria vida distantes dos abusos. Permanecem numa espécie de torpor psicológico que as impedem de ver com clareza onde e como estão. Acabam se convencendo de que não vão dar conta de terem vida própria, com pensamentos livres e independentes. Mesmo quando sabem que sofreram abusos, muitas passam a acreditar que não serão capazes de seguir adiante com a própria vida sem estarem atadas aos seus algozes. Parece história de ficção, mas infelizmente não é.

💎Quanto mais despertos, melhor!

Silvia Malamud

Você acredita em amor ideal?

Todos nós interpretamos o amor ideal como se alguém no mundo tivesse nascido exclusivamente para nós. A ideia inventada é de que é impossível ser feliz sozinho e que sem uma parceria afetiva a vida estaria fadada ao fracasso.

Muitos de nós, para não dizer a maioria, acredita cegamente nas variáveis dessa crença romântica. Somos tão e há tanto tempo bombardeados por este conceito que e é quase impossível encontrar alguém descontaminando deste padrão.

Por outro lado, hoje mais do que nunca, começam a existir pessoas imunes, que despertaram dessa trama aprisionante. As evidências da vida nos mostram ininterruptamente de que a nossa felicidade nunca poderá estar nãos mãos de ninguém. O amor ideal, portanto, é uma invenção e uma convenção social que pode ser questionada e reinventada de acordo com a individualidade de cada um.

Numa pesquisa histórica, podemos observar que a forma e o amor que temos hoje é bastante distinto de tudo o que já existiu, com diversas variações sobre o que pode significar laços afetivos. Amar não é e nem precisa ser igual para todos. Vemos direto pelas mídias que ter um relacionamento afetivo não é exemplo de felicidade.

A lição mais contundente de todo este cenário é que as nossas questões emocionais e existenciais não se resolvem com o uso de "muletas" externas e que a viagem da transformação interior sempre começa dentro e não fora. Ninguém tem o poder de preencher o outro em sua identidade e destino.

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Silvia Malamud

Homens também podem ser vítimas de abuso emocional.

Não são poucas as vezes que recebo em meu consultório homens emocionalmente fragilizados, vítimas de abuso emocional. Homens que passam por este tipo de sofrimento não são mais fracos do que a maioria e não seria justo qualquer tipo de descrença a respeito de suas histórias. A temática do abuso, infelizmente, independe do sexo e do gênero.

Via de regra, tais pacientes chegam deprimidos, confusos e culpados, pedindo ajuda para entenderem e conseguirem lidar melhor com as dinâmicas das relações afetivas nas quais estão envolvidos.

Aqueles que permanecem nas relações, revelam que vivem sob ameaças constantes e em meio a críticas bastante ostensivas. Contam que nada do que fazem ou falam parece adequado, que recebem comentários de desdém somados à ironias sem fim. Vivem restringidos na liberdade que poderiam ter de conviver com as suas famílias de origem ou com amigos que, inclusive, poderiam até ser em comum ao casal.

Já não sabem o que fazer para agradar, uma vez que praticamente tudo o que têm feito em nome de apaziguarem os ânimos acaba revertendo numa insatisfação crônica repleta de críticas destrutivas. Sofrem de uma obsessão por parte dos seus pares, para saberem onde estão, com horários monitorados sob ameaças de explosões de ira. Exaustos e sem saída emocional saudável, optam por passarem por cima dos seus próprios sentimentos e de tudo o que poderia ser viável.

Mesmo quando despertam reconhecendo que estão passando por relacionamentos tóxicos, ainda assim existe bastante dificuldade até se verem livres por completo de tais dramas.

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Silvia Malamud

Um narcisista perverso não suporta o brilho alheio. Qualquer pessoa que ameace a sua frágil percepção de si mesmo deve ser apagada.

Como o vazio interior de um narcisista perverso é grande, a luz de qualquer pessoa que ameace a sua frágil percepção de si mesmo deve ser apagada imediatamente. Isso não fica efetivamente em evidência porque ele sabe das leis de boa conduta e precisa, por sua característica narcísica e perversa, parecer “bem na fita”.

Uma de suas principais armas é a promessa de um relacionamento de fusão, ou seja, de compatibilidade absoluta, seja em qual área for. Para tanto, o grau de sedução vai às alturas. Nessa fase, as promessas fazem o colorido das conversas e com isso ele vai descobrindo o que falta na vítima, onde dói e o que precisa ser suprido.

Após a entrega afetiva da vítima, quando se cai na ilusão de que as carências podem ser sanadas, seu lado narcisista perverso aparece. De uma hora para outra, a vítima passará a ser criticada, nunca estará suficientemente boa no que faz e nem em como é. Juntamente com as críticas, uma ameaça sinistra de abandono fica pairando no ar.

As vítimas, uma vez fisgadas, esquecem-se de que até pouquíssimo tempo estavam autossuficientes em suas vidas e com o seu brilho próprio.

A solução para resolver esse impasse está na consciência do lugar onde se está e em um auxílio terapêutico que ajude a sair dessa trama de modo fortalecido e a curar feridas emocionais escondidas.

💎Quanto mais despertos, melhor!

Silvia Malamud

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