Relacionamentos

Mães narcisistas

O que fazer quando você toma consciência da dinâmica da sua vida com a sua mãe e descobre que desde sempre foi obrigada a aparecer em público de modo impecável? Quando percebe o quanto a sua mãe é super simpática para fora de casa, solícita para todos ao redor, mas com você ela só tem olhos para críticas e desqualificações? O que fazer nas vezes em que você se confunde achando que é tudo da sua cabeça, sentindo-se culpada porque ela está parecendo ser amorosa? O que fazer com a desconfiança e o medo de que ela tenha um ataque de fúria cega, te acuando a ponto de você se calar de medo, humilhação e vergonha? O que fazer quando essas situações só acontecem nos bastidores, onde ninguém vê?

Se você está nesta confusão de percepção e de sentimentos, saiba que você não é a doente dessa história. Você tem valor, pode e deve se experimentar. Aliás, isso é ser livre e deveria ser um direito de todos, pois é através das tentativas e erros que vamos nos capacitando. Preste atenção se sua mãe insidiosamente te diminui e, algumas vezes, parece que te afaga... Mães narcisistas perversas estão numa patologia mais comum do que se possa imaginar e que é reconhecida tanto pela psicologia quanto pela psiquiatria.

Não crie expectativas em ter uma mãe ideal. Ela não mudará o padrão, mas você pode mudar e aprender a se proteger aumentando a sua autoestima. Saiba quem você é e quem é a sua mãe. Busque ajuda terapêutica para ter uma escuta de sanidade que te ajude a se fortalecer, aprendendo como lidar com este tipo de abuso silencioso, e para não entrar em depressão fazendo jus ao que a sua mãe projeta em você.

Você pode e merece.

💎Quanto mais despertos, melhor!⠀

Silvia Malamud⠀

A manipulação é uma das mais potentes armas de abuso emocional, de poder sobre o outro e de demonstração de tudo que não é amor. Em suas ações, abusadores habilmente agem em meio à abordagens coercitivas que visam a inserção de sentimentos de culpas, ameaças de retaliação, exclusão, separação, corte afetivo e exílio de tudo o que pode fazer parte do ambiente relacional da pessoa-alvo.

Suas atitudes são claros exemplos de tudo que pode significar egoísmo. Em suas fúrias de voracidade e em meio a mil e uma estratégias de condutas, seguem conquistando aquilo que vão almejando pelo caminho. O paradoxo é que, no final de cada posse, ainda permanecem insatisfeitos, na sensação de que o adquirido é efêmero.

Como nunca se realizam por completo, sempre estão à espreita achando que o outro está com o que lhes falta. Em nome desse cego pressuposto vão ao infinito, atravessando, articulando e fazendo o impossível em nome de efetivarem seus intentos de conquista.

Apesar de serem altamente sofisticados na arte de disfarçar as suas demandas emocionais, um bom percebedor poderá notar o quanto são invejosos e o quanto almejam aquilo que o outro tem e conquista.

Portanto, não se iluda, não há pacto possível de amizade ou de amor enquanto houver este padrão de adoecimento nos relacionamentos.

Se acaso você se der conta que pode estar passando por situações dessa ordem com parceiros afetivos, familiares, amigos ou em relações de trabalho, seja esperto e proteja seus limites de benevolência cega. Lembre-se: não há pacto possível quando a fome do outro é insaciável.

💎Quanto mais despertos, melhor!

Silvia Malamud

Narcisismo perverso

Narcisistas perversos induzem as vítimas a acreditarem nas mais descabidas mentiras e a duvidarem de si mesmas e de sua capacidade de discernimento.

As vítimas começam a pensar e ter opiniões sobre si mesmas que não teriam se estivessem em condições de liberdade, mas não sabem disso.

Os comportamentos abusivos - como desumanização, privação do sono, assédio moral, inserção de culpa, inversão de verdades e gaslighting - serão tão incidentes e incisivos que chegará um ponto em que o cérebro da vítima estará como uma página em branco, dominado e submisso.

Mesmo quando sabem que sofreram abusos, muitas passam a acreditar que não serão capazes de seguir com a própria vida sem estarem atadas aos seus algozes. Fragilizadas e ainda que visivelmente dilaceradas, por vezes ainda defenderão os seus manipuladores.

Se acaso estiver passando por algum relacionamento desconfortável, por alguns instantes faça o papel do observador e, como se fosse uma terceira pessoa começando a enxergar o que está acontecendo nessa relação, ouse entrar na sua essência, priorizando ver as nuances do seu eu real. Veja se esta relação de verdade te deixa feliz e completo e se é este é o caminho a seguir. Observe se você se deslocou de tudo o que pode significar ser você mesmo. E, no final, se concluir que pode estar passando alguma situação de abuso emocional, busque olhar para fora da caixa, desconstruindo verdades que em alguns momentos lhe pareceram absolutas. Peça ajuda e faça terapia para efetivamente viver o direito de estar no seu melhor.

💎Quanto mais despertos, melhor!⠀

Silvia Malamud⠀

Você acredita em amor ideal?

Todos nós interpretamos o amor ideal como se alguém no mundo tivesse nascido exclusivamente para nós e que, somente quando encontramos o tal amor verdadeiro, poderemos ser felizes para sempre, exatamente como nos contos de fadas.

Na ideologia do amor, impera a lei de que é impossível ser feliz sozinho e que sem uma parceria afetiva a vida estaria fadada ao fracasso.

Nessa perspectiva, o risco de se entrar em relacionamentos abusivos é enorme. As evidências da vida nos mostram que a nossa felicidade nunca poderá estar nãos mãos de ninguém. O amor ideal, portanto, é uma invenção e uma convenção social que pode ser questionada e reinventada de acordo com a individualidade de cada um.

Numa pesquisa histórica, podemos observar que a forma e o amor que temos hoje é bastante distinto de tudo o que já existiu. Observando algumas tribos indígenas, por exemplo, podemos notar que os laços afetivos que os unem variam de modo estonteante dependendo da tribo e da época. Ao longo da história, também temos diversas variações sobre o que pode significar o amor e os laços afetivos.

Amar não é e nem precisa ser igual para todos. Vemos direto pelas mídias que ter um relacionamento afetivo não é exemplo de felicidade. Ninguém garante isso e o que mais recebo em meu consultório são pessoas vítimas de abusadores que, apesar de todo o mal-estar sofrido, ainda acreditaram que poderiam magicamente transformá-los em relacionamentos ideais.

Toda sorte de dor e desespero é lançada quando se tenta tapar o vazio interno com a promessa da felicidade no amor idealizado, mas ninguém tem o poder de preencher o outro em sua identidade e destino.

A lição mais contundente de todo este cenário é que as nossas questões emocionais e existenciais não se resolvem com o uso de muletas externas. A vacina e o antídoto mais eficientes são o conhecimento sobre o tema, autoconhecimento e, quando necessário, uma boa terapia.

💎Quanto mais despertos, melhor!⠀

Silvia Malamud

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