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Pessoas explosivas

Todos nós poderíamos escrever livros e mais livros sobre histórias de mal entendidos, sobre “engolir sapos”, sobre pessoas que falam e agem por impulso e sem pensar deixam profundas marcas tanto nos outros como em si próprias.

O fato é que, invariavelmente, sempre que alguém fala de modo impositivo à outra pessoa, um pacote repleto de imagens, emoções e de certezas cegas é direcionado com a finalidade de atingir um caminho certeiro de ataque. O problema maior é que na hora da emissão e muitas vezes até depois da mesma, há total falta de consciência sobre o impacto causado. As palavras mal ditas são arremessadas sem a menor prudência ou cuidado para com o semelhante. A energia exalada nessas ocasiões é altamente letárgica. A fachada da impaciência, do ódio, da superioridade e do autoritarismo costuma ser o carro-chefe deste comportamento ditatorial.

Depois do suposto “estouro”, o mais frequente de acontecer é o arrependimento, a autopunição e a culpa, somando-se ainda aos sentimentos de inadequação. A partir de então a autoestima do acusador, esquentado demais, vai a menos infinito.

Vítimas e acusadores da mesma questão emocional costumam ser reflexos espelhados um do outro. O que acusa explodindo, no fundo tem sentimento e crença de impotência para resolver algo que o perturba. Aquele que é atacado, por sua vez, se sente impotente para se expressar, pois seja o que fosse falar mediante a tamanha explosão ou viraria fumaça ou acirraria mais ainda os ânimos do acusador.

O ideal seria que tanto o acusador quanto a vítima pudessem rever seus mais profundos conceitos sobre resolução de conflitos, revisitando situações em que não foram ouvidos (desamparo) ou onde talvez tivessem sido ouvidos acima de tudo e de todos (mimados). Só a partir de busca interior sincera e da ressignificação desses conteúdos internos mal resolvidos é que se consegue perceber que, na atualidade, as pessoas verdadeiramente podem ser diferentes das pessoas do convívio de lá de trás. Sempre sugiro um trabalho terapêutico de abordagem direta do consciente no próprio inconsciente para que reprocessar e reprogramar, inclusive neurologicamente, padrões defensivos de respostas danosas tanto para os outros como para si mesmo.

💎 Quanto mais despertos, melhor!

Silvia Malamud

Reações emocionais desmedidas e reprocessamento de subpersonalidades

O que você aprendeu como perigo desde o momento em que foi concebido fica registrado como ameaça em sua máquina cerebral. Reações emocionais desmedidas são associações que o seu cérebro faz quando detecta algo da realidade que pode afetar seu sistema.

Todas as reações emocionais intensas, sejam elas de extroversas ou introversas, advém das nossas subpersonalidades, alter-egos ou o que seja que tem um entendimento sobre perigo eminente muito diferente desse nosso eu de agora e da realidade adulta, que é o eu condutor-executivo. Por mais incrível que isso possa parecer, todos nós temos inúmeros desses aspectos em plena vigência dentro do nosso psiquismo. Para acioná-los, basta ativar algum botão de associação direta com algum perigo já vivenciado, que o nosso mecanismo de defesa e de sobrevivência virá de modo cego para nos defender.

Somos assim: um “eu” que visa e prima ser ciente de si mesmo ao mesmo tempo que carrega vários e diferentes aspectos, percepções e ilusões sobre a realidade distorcidos. O processo de acesso e de dessensibilizar o funcionamento destes diferentes “eus” é um trabalho quase que mecânico feito em terapia cerebral. Digo quase que mecânico porque envolve, inclusive, reprocessamento de emoções reais, porém descabidas no momento. Não cuidar dessas reações emocionais excessivas, além de ativar o sistema físico levando ao estresse e a possíveis doenças recorrentes, pode danificar ainda mais a confusão do olhar trazendo muito sofrimento desnecessário.

Quando o discernimento e o reprocessamento dessas subpersonalidades ocorrem, há consciência maior de que atitudes e crenças são os verdadeiros donos absolutos dos cenários de vida, não havendo mais espaço para vitimizações. Com isso, mudanças de padrões e responsabilização por tudo o que se cria passam a imperar.

A partir disso, podemos efetivamente mudar padrões de funcionamento em todas as áreas da vida. Após a terapia de reprocessamento cerebral, exercitar a fórmula "mágica" de repetição, foco e consciência no que se faz facilita a transição do estado de piloto automático para o novo estado de consciência. Podemos deixar de ser robôs de nós mesmos, resultados passivos de uma história de vida que nos molda e que nos moldou muitas vezes à nossa revelia. Ter ações deliberadamente conscientes e de acordo com os reais propósitos de alma está nas mãos das pessoas que tem coragem, ousadia e humildade se reverem. Por mais que almejemos mudanças na vida, elas sempre causam medo. Sair do lugar conhecido e ousar é para poucos, mas dentro de nós sempre temos a chave que abre todas as portas. Poder olhar a vida e a si mesmo por uma perspectiva diferente traz benefícios incalculáveis. Já que estamos todos atados nessa grandiosa aventura terrestre, por que não sair do lugar que entristece e restringe ousando se conhecer e abrindo espaço para viver de modo diferente e melhor do que o usual?

💎 Quanto mais despertos, melhor!

Silvia Malamud

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